Héloa e índios da Aldeia Kariri-Xocó entoam canto em defesa do Velho Chico

Héloa em Agô _ Frame 2

“Eu sou Pawanã Kariri-Xocó, sou chefe da minha aldeia. Bom dia!! Eu convido os irmãos a lutarem pelo nosso Rio Opará! O Rio Opará está indo embora, está morrendo, ele não tem mais peixe para a gente caçar! Nós vivemos dele, ele é nossa vida, nosso ancestral! Meus irmãos brancos de bom coração, vamos lutar pelo Rio Opará? Vamos? Vamos!” É com essa força, de denúncia e chamado, que Héloa apresenta “Agô”, primeiro single de seu próximo registro de estúdio. Acompanhada de videoclipe que mistura ficção com documentário, a música traz a união de duas poderosas energias ancestrais que guiam a vida da artista iniciada no candomblé e consagrada nas tradições indígenas da família Sabuká Kariri-Xocó. Em uma espécie de pedido de desculpas e um lamento pela morte do Rio Opará, amplamente conhecido como Rio São Francisco, a cantora lança um olhar para este que, há anos, vem sofrendo tragédias e mutilamentos.

A estética da cura

Anais Karenin Exposição no Japão 1 Crédito Divulgação

O artista plástico Roberto Burle Marx, reconhecido como um dos maiores paisagistas do mundo, usava plantas para fazer arte em seus jardins. Mas a busca pela natureza no fazer artístico extrapola o paisagismo. Jovens cientistas-artistas, empoderados com novas técnicas laboratoriais possibilitadas pelo avanço da tecnologia, vêm usando de plantas medicinais a bactérias para ressignificar conceitos como cura, memória e metodologia científica. Este é um ramo da bioarte, que lança um olhar lúdico para o mundo da biologia. A “aura” de uma obra de arte, expressão definida pelo filósofo alemão Walter Benjamin para identificar sua autenticidade, cuja emanação é possível na relação direta entre a obra e o observador no exato momento da fruição estética, é capaz de se transformar num verdadeiro “remédio social” ao se embrenhar nas intersecções da vida pessoal do expectador aos símbolos de sua cultura. Benjamin argumentava que, no momento que uma expressão artística é reproduzida pela técnica, como a fotografia, a sua aura desaparece. O tema, debatido avidamente na academia, especialmente num momento no qual a reprodutibilidade técnica alcançou seu ápice com a internet, chega à tona na bioarte.

Índios exigem direito à saúde nas cidades

Criação do Centro de Referência em Saúde Indígena em Guarulhos, em São Paulo, desperta a esperança dos 298.871 índios que moram em cidades no Brasil e que lutam por melhores condições de atendimento médico que respeite as tradições que sobrevivem à mudança das aldeias para o asfalto. A partir de agora, índios de Guarulhos poderão ser atendidos por médicos acompanhados de pajés em uma Unidade Básica de Saúde. A intenção da Prefeitura e da Unifesp, que participa desse projeto, é levar essa experiência para todos os bairros da cidade e fazer com que essa iniciativa se torne uma referência no País. De 11 a 15 de agosto, a cidade promoverá o VII Encontro dos Povos Indígenas de Guarulhos, reunindo aldeias do Estado de São Paulo, momento no qual a população indígena encaminhará novas pautas de mobilização.

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