A estética da cura

Anais Karenin Exposição no Japão 1 Crédito Divulgação

O artista plástico Roberto Burle Marx, reconhecido como um dos maiores paisagistas do mundo, usava plantas para fazer arte em seus jardins. Mas a busca pela natureza no fazer artístico extrapola o paisagismo. Jovens cientistas-artistas, empoderados com novas técnicas laboratoriais possibilitadas pelo avanço da tecnologia, vêm usando de plantas medicinais a bactérias para ressignificar conceitos como cura, memória e metodologia científica. Este é um ramo da bioarte, que lança um olhar lúdico para o mundo da biologia. A “aura” de uma obra de arte, expressão definida pelo filósofo alemão Walter Benjamin para identificar sua autenticidade, cuja emanação é possível na relação direta entre a obra e o observador no exato momento da fruição estética, é capaz de se transformar num verdadeiro “remédio social” ao se embrenhar nas intersecções da vida pessoal do expectador aos símbolos de sua cultura. Benjamin argumentava que, no momento que uma expressão artística é reproduzida pela técnica, como a fotografia, a sua aura desaparece. O tema, debatido avidamente na academia, especialmente num momento no qual a reprodutibilidade técnica alcançou seu ápice com a internet, chega à tona na bioarte.

Um antídoto contra a violência

Chick Corea2

Faça amor, não faça a guerra. E o amor pode se expressar de diversas maneiras. O pianista americano Chick Corea compartilha com o mundo a sua contribuição com essa máxima pacifista por meio de sua música, desde dos anos 1960. E, em 28 de junho, o músico com ascendência italiana, mas de coração latino, lançou o álbum “Chick Corea and The Spanish Heart Band: Antidote”, com músicas dos álbuns “My Spanish Heart” (1976) e “Touchstone” (1982). Revisitar grandes clássicos que traduzem o amor de Corea pelo universo latino-americano contou com grandes músicos de diversas partes do mundo, como Cuba, Espanha e Venezuela. E, no jazz, especialmente para artistas que transpiram música como Corea, a música gravada nunca será exatamente a mesma daquela apresentada no palco, tornando uma das expressões musicais mais inovadoras do mundo.

Caridade em tempos de crise

Assimetria no Caminho ((Roger Marzochi)

A luz diáfana que atravessa as árvores entre os gentis caminhos do Parque Villa Lobos, em São Paulo, revela uma beleza baça na mistura entre o verde da vegetação, o cinza do chão e a suave névoa branca de uma manhã molhada do fim de fevereiro. Com uma pasta azul embaixo do braço, cujas pontas estão esgarçadas, revelando o bege do papelão da qual é feita, seu Gutemberg procura latinhas nas lixeiras. “A chuva deve ter espantado o povo daqui ontem, consegui quase nada”, diz. Após reunir o que pode de recicláveis, que são colocados em sacos plásticos, esse homem negro com barba e cabelos embranquecidos, percorre empresas da região da Lapa entregando o conteúdo de sua pasta: currículos. “Trabalhei a vida toda de ajudante ou conferente, não sei fazer outra coisa”, afirma. Gutemberg me fez refletir sobre o que realmente significa a palavra caridade, um conceito que está na base de todas as religiões do mundo. Mas, afinal, o que é caridade? E como é possível hoje praticá-la? “A caridade é um impulso de amor que faz você ver o outro como um templo divino. O povo confunde com filantropia, que sempre diferencia o ajudado de quem ajuda”, diz o jornalista e escritor Pedro Fávaro Jr.

Nas asas de um mistério

Sidemberg Rodrigues e o Beija Flor1

Em meados da década de 1970, Sidemberg Rodrigues iniciava uma nova e fantástica relação com os pássaros. Em Muqui, a 172 quilômetros de Vitória (ES), ele contraiu uma forte alergia nos olhos, que só na década de 1980 se descobriu que era uma reação ao pólen durante a primavera. Os olhos ardiam e as pálpebras se fechavam. Com a visão debilitada, ele começou a sentir pássaros pousando em seu ombro, em suas costas e até em sua mão. O que poderia ser o desejo de muita criança, era visto como desgraça para o garoto. “Eu odiava os pássaros pousando em mim”, diz Rodrigues, membro honorário da Academia Brasileira de Direitos Humanos e ex-gerente de comunicação e sustentabilidade da ArcelorMittal Tubarão.

Projeto empodera mulheres com câncer

Além da Cura1 Entrevistada Karina Goldberg Crédito da foto Estéfane Oliveira

“O jornal é um instrumento indiferente para o bem e para o mal; lutemos, pois, para que ele siga o bom caminho.” Para além da dicotomia entre o bem e o mal, tão habilmente explorada pelas igrejas até hoje e movimentos políticos contemporâneos, é inegável que a pernambucana Bruna Monteiro segue um bom caminho, no melhor sentido da frase acima, atribuída a São Francisco de Sales, alçado a Patrono do Jornalismo pela Igreja Católica após a sua luta de guerreiro e escritor para combater o calvinismo, no século 16. No dia 24 de maio, quinta-feira, Bruna e Estéfane Oliveira apresentam em São Paulo parte do projeto que está empoderando mulheres ao redor do mundo que enfrentam a batalha contra o câncer: o curta-metragem “Além da Cura – Europa”. Em Recife, a exibição será realizada no dia 26 de maio, um sábado. A apresentação do projeto, que é apenas uma parte de um trabalho amplo, conta com bate-papo com duas mulheres que enfrentam ou enfrentaram essa doença e participaram do projeto.

Som, paz e sustentabilidade

Calma2

Quem já teve a oportunidade de participar de uma meditação do Tambores Flow com a presença de Rico Verenito pôde viajar pelo universo profundo aos sons de sua cítara maravilhosa. Sua simples presença já transborda paz, seus alongamentos antes de começar a tocar lembram que a música é também extensão da memória muscular. Mas sua atuação no projeto que une música e meditação, dirigido pela meditadora Monica Jurado, é uma das pontas do imenso iceberg que esse multi-instrumentista construiu ao longo de seus 43 anos de idade. O músico está promovendo o pré-lançamento do C’Alma, espaço ecocultural localizado no Tatuapé, em São Paulo, com dois workshops sobre o aproveitamento da água da chuva e a construção de telhados verdes. O local, com 800 metros quadrados, receberá ainda cursos que introduzem os conceitos da música clássica indiana, música das esferas e discussões sobre qualidade de vida e alimentação.

Ventos do Oriente

Tarabando Zikir Trio

O Bando de Seu Pereira divulga o vídeo da música “Tarabando”.

Bando de Seu Pereira lança Xote dos Recursos

Grupo de forró ecológico lançou quinta-feira (07/12) o clipe “Xote dos Recursos”.

Forró Pé de Terra

Bando do Seu Pereira Didier Lavialle

Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira já denunciavam em “Asa Branca” o impacto da seca no sertão. Hoje, a sua poesia da tristeza de ver o gado morrendo por falta de água, o chão ardendo qual fogueira de São João, deixa de ser uma constatação do homem frente à força da natureza. Conscientes de que o ser humano tem capacidade de influir no meio ambiente, tanto para o bem quanto para o mal, um grupo de músicos e pesquisadores formou em 2015 o Bando do Seu Pereira, que apresenta nesta segunda-feira (27/11) o seu primeiro single no SoundCloud: “Tarabando”. A partir do poder de comunicação e poesia proporcionados pelo forró, o grupo se inspira em causas ambientais, como crise hídrica, consciência ambiental, imigração e dilemas da especulação imobiliária em suas canções, de tal forma que pode se dizer que foi criado um novo estilo do gênero no País: o Forró pé de Terra, uma homenagem de ativismo ambiental ao querido e tradicional Forró Pé de Serra.

Uma meditação musical para a paz em São Paulo

SESC Jundia_Tambores Flow_Crédito Mayara Tutumi

Uma meditação à céu aberto com o objetivo de enviar energias positivas para colaborar na construção da paz na cidade de São Paulo. Esta é a proposta do evento gratuito que o projeto Tambores Flow, que une meditação à música, realizará no dia 27 de agosto, um domingo, a partir das 16h, na Praça Victor Civita, em Pinheiros (São Paulo). “Quando as pessoas estão juntas meditando, elas polarizam energias e frequências mais amorosas e pacíficas”, diz a meditadora Monica Jurado, que organiza o evento e lidera o Tambores Flow. Essa meditação marca também a formação de tamboreiros do projeto, que regularmente abre cursos para criar maior intimidade entre os praticantes da meditação associada à música. O projeto também oferece cursos de construção de tambores.

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