Uma semente de esperança no sertão

As Cangaceiras Crédito Karim Kahn

Serena queria apenas encontrar o seu menino, retirado à força ao nascer e já com sentença de morte determinada pelo cangaceiro Taturano. E, em sua fuga, transforma a sua busca em uma verdadeira guerra no musical “As Cangaceiras Guerreiras do Serão”, do dramaturgo Newton Moreno, que recebeu na semana passada indicações na disputa de melhor dramaturgia nos prêmios Shell de Teatro e da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). A peça, que começou a ser apresentada em abril, encerra sua temporada no dia 4 de agosto no Teatro Sesi, no Centro Cultural Paulista, em São Paulo. O musical penetra fundo na alma em poesia, luz, som e movimentos. Mas não era a guerra que Serena queria em sua busca, tão somente sonhada enquanto puro amor desesperado de mãe. Interpretada magistralmente pela atriz e cantora Amanda Acosta, a personagem reverbera o grito de liberdade das mulheres no tempo do cangaço, ora aprisionadas aos padrões de comportamento da sociedade patriarcal, ora sufocadas pelo machismo e pela violência da vida rude dos bandos que vagavam pelo sertão. A luz do espetáculo é deslumbrante, o cenário, prático, simples e direto. E a banda ao vivo, separada do palco por um fino tecido translúcido, é incrível.

Fora da prateleira

Tchella

Há nove anos, uma cantora independente chamada Glaucia Nasser me disse uma coisa muito importante. Ela explicou que, apesar de ser independente de gravadoras, ela era “dependente” de muita gente: todos os ídolos da música e da arte; sua família, amigos e músicos; e, principalmente, seu público. A multi-talentosa e multi-instrumentista Marcela Brito tem essa mesma visão. Apresentando-se como Tchella, nome artístico que ganhou de seu pai quando se formou em artes cênicas, ela gravou em 2018 o disco “Transmutante”. Em julho, o trabalho completa um ano e será comemorado no dia 13, um sábado, com show acústico com o compositor e multi-instrumentista Antonio Dantas. O evento será gravado, eternizado em DVD, que será batizado de “Acústico Transmutante Ao Vivo”. “Eu preciso de vocês nesse DVD, a participação do público é muito importante, preciso muito que vocês estejam aqui”, diz Tchella em vídeo divulgado nas redes sociais, conclamando seu público, que já a apoiara há 12 meses numa campanha de financiamento coletivo que possibilitou o lançamento do trabalho. “Fizemos esse show no Rio, em maio. E gostei tanto do resultado versão voz e violão e vou trazer esse show para comemorar em São Paulo”, explica a artista em entrevista ao entresons.com.br.

Nas asas de Ícaro

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Os dramas da adolescência, aprofundados pela miséria provocada pela extrema exclusão social, são abordados em profundidade na peça “O Primeiro Voo de Ícaro”, do dramaturgo Luís Alberto de Abreu. A obra foi encenada em estreia no sábado, dia 21 de abril, no Teatro Lulu Benencase, em Americana (SP), pelo Manada Grupo de Teatro. Os sete atores são, em sua maioria, educadores próximos dos 20 anos, que agora iniciam o caminho da profissionalização nas artes cênicas. Essa relação com a pedagogia pode ter ajudado com texto, no qual Abreu buscou inspiração na mitologia grega de Ícaro para contar a história de alunos de uma escola pública na periferia de qualquer cidade brasileira. As 307 pessoas que estiveram presentes no teatro, que tem capacidade para 779 espectadores, foram do riso às lágrimas, recebendo uma semente de reflexão sobre uma imagem muito real que a sociedade brasileira prefere ignorar. Com o uso de música ao vivo, com base em instrumentos como a voz, o corpo, violão e violoncelo, esses atores provaram que novos voos virão.

Jam do Roquenrol Santeiro

Alfredo dias Gomes - creditos Acervo Pessoal do artista

O estilo de vida dos dramaturgos e novelistas Dias Gomes e Janete Clair inspirou profundamente a carreira de seus três filhos. O baiano Dias Gomes é o autor de peças como “Pé de Cabra”, “Eu Acuso o Céu”, “Zeca Diabo”, “Os Cinco Fugitivos do Juízo Final” e “O Berço do Herói”. Este último trabalho foi censurado pela Ditadura em 1965, acabou sendo adaptado para tevê em “Roque Santeiro”, mais foi censurado em 1975. A obra, com personagens fantásticos como Sinhozinho Malta (Lima Duarte) e Viúva Porcina (Regina Duarte), só ficou conhecida do público em 1985, quando teve início o processo de redemocratização. A mineira Janete Clair foi autora, por exemplo, de “Irmãos Coragem”, “Selva de Pedra” e “Pecado Capital”. Ambos criavam seus personagens em casa. Logo após o café da manhã, cada um seguia para o seu escritório. O almoço e o jantar, reunidos na mesa com os filhos, eram os momentos em que os escritores contavam o que haviam criado naquele dia, num ambiente de muita alegria. “Eu acho que peguei a influência de vê-los criando, isso era muito legal”, diz Alfredo Dias Gomes, 58 anos, que não se tornou dramaturgo, mas baterista e compositor. No fim de janeiro, o músico lançou o CD “Jam”, seu 9º álbum em 25 anos de carreira solo.

À Deriva frita o cérebro em novo CD

A Deriva

Cérebro frito! Era esse o cheiro que exalava das cerca de 50 almas que presenciaram, na sexta-feira 29, o show de lançamento do sexto CD do quarto de jazz À Deriva, no espaço cultural Serralheria, em São Paulo. “O muro rever o rumo” é resultado da associação da banda com o grupo de teatro Les Commedies Tropicales, mais especificamente, reflexos sonoras da última encenação, “Guerra sem batalha ou Agora e por um tempo muito longo não haverá mais vencedores neste mundo apenas vencidos”. A peça é inspirada na obra “Mauser”, de Heiner Muller, assim como na biografia do dramaturgo alemão “Guerra sem batalha: uma vida entre duas ditaduras”.

Tecendo processos

Foto

A atriz e professora Adriana Costa faz neste texto um relato sobre o processo de montagem da peça “Sacra Folia”, de Luís Alberto de Abreu, com alunos do Teatro Escola Macunaíma, no segundo semestre de 2015. O texto acaba de ser publicado no Caderno de Registro Macu, número 8, do Primeiro Semestre de 2016, disponível aos alunos nas unidades da escola. “Realizei vários exercícios de Campo de Visão com os alunos, para que o ator possa ampliar seu potencial criativo, sua gestualidade, percepção de si e do outro e as capacidades expressivas de seu corpo. Apesar desse jogo improvisacional se utilizar muitas vezes de temas, como cenas do cotidiano – a movimentação na Rua 25 de Março, por exemplo –, minha intuição sugeriu trabalhar no Campo de Visão um exercício de antropomorfização, no qual incentivei os alunos a imaginarem qual o animal que a personagem do texto lhes sugeria. Primeiro levando-os a se portarem plenamente como esses animais e, aos poucos, acrescentando características humanas. Assim, aproveitei esse exercício como tema para o Campo de Visão, com bons resultados”, diz um trecho do relato.

Musical sobre Ataulfo Alves estreia em São Paulo no fim de abril

Ataulfo_Alves

A história de Ataulfo Alves, o sambista que trouxe elegância ao gênero durante as décadas de 1940 e 1950, levando-o pelas ondas do rádio para todo o País, é o foco do musical “Ataulfo Alves – O Bom Crioulo”, que estreia em São Paulo no fim de abril, no Sesc Bom Retiro. A informação foi confirmada pelo diretor do espetáculo, Luiz Antonio Pilar, em entrevista ao entresons. Pilar também está rodando um documentário sobre o sambista Candeia e o Centenário do Samba, com apoio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Audiovisual Brasileiro (Prodav) e com previsão de exibição no Canal Curta e em salas de cinema.

Comédia “Sacra Folia” prova que Deus é brasileiro

João Teité

Dirigidos pela atriz e professora Adriana Costa e com direção musical de Renato Souza, os alunos do PA2 A do Teatro Escola Macunaíma apresentam desde sexta-feira a comédia “Sacra Folia”, de Luís Alberto de Abreu, na primeira montagem do grupo, formado por 15 alunos. Hoje, domingo, 06 de dezembro, será a última apresentação, com duas encenações às 19h e 21h, no Teatro 4, na sede da escola, na Rua Adolfo Gordo, 238, em São Paulo, com ingressos a R$ 18. Não recomendado para menores de dez anos. A peça, que tem música ao vivo com alfaia, violão, triângulo, pandeiro e ganzá, começa com um cortejo fora do teatro, acompanhando a entrada dos espectadores.

“Terra” chamando

terra

O mar é como um telescópio direcionado para dentro do homem. Pode ampliar as possibilidades de vida, mas também limitar ou mesmo destruir o que estiver em seu caminho, assim como nas mais fortes ressacas. A ideia pescada é da peça “Aqui Estamos com Milhares de Cães Vindos do Mar”, que o diretor Rodrigo Spina criou a partir de uma sobreposição de uma série de peças do romeno Matéi Visniec, cuja vida foi marcada pela ditadura comunista em seu país. Após se mudar para a França em 1987, o autor se surpreendeu com a ditadura da sociedade de consumo, hoje em escala planetária. O reflexo de uma peça como essa é sem dúvida uma visão panorâmica da desgraça humana. E, diante de tanta tristeza, há músicos, poetas, dramaturgos e atores, verdadeiros cães de cegos que surgem do mar para dar sentido à escuridão da humanidade.

Espetáculo “Sabiá” faz reflexão sobre o golpe de 1964

CorridoSabia-7 Foto Rodrigo Reis (1)

O espetáculo Sabiá, com texto e direção de Paulo Faria reestreia no 22 de novembro 2014 às 21h30 para uma curta temporada, na sede Luz do Faroeste, depois de passar pelo MuBE Nova Cultural em junho e julho e viagens pelo Interior de São Paulo. Livremente inspirada na canção de Chico Buarque e Tom Jobim, a montagem traz a reflexão sobre os 50 anos do Golpe Militar, como recorte e espelho do que foi e é a realidade de muitas famílias e amigos daqueles que se posicionaram contra e em ação direta ao regime totalitário. A temporada vai até o dia 30 de novembro de 2014.

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