Jazz na zona de guerra

Vinicius Chagas Warzone

O jovem saxofonista Vinícius Chagas lança “Warzone”, seu seguindo trabalho autoral, com um som carregado em velocidade de execução e gritos muito próximos do completo desespero, desalento e desamor. Sua fascinação pelo jazz de Miles Davis e Charlie Parker estão nítidos em seu swing e na fotografia que escolheu para ilustrar o seu WhatsApp, embora suas dissonâncias o deixem mais próximo de Ornette Coleman e do free-jazz. Mas, afinal, por que você toca assim? Por que você grita? “Eu cresci em igreja evangélica, ouvindo muita música gospel. E música raiz, samba, por influência do meu pai. Isso está dentro da minha musicalidade. Tem uma coisa melódica, mas tem uma tristeza. Todos esses fragmentos são coisas da minha vida pessoal que se refletem na música”, explica o saxofonista. “A maneira de tocar vem da influência da minha vivência, minha personalidade. Reflete o jeito que eu toco, reflete mais a minha personalidade que o momento. As composições podem ter minha maneira de tocar, que desenvolvi há anos.”

O tempo é agora

Paulio Celé Jazz nos Fundos

“E se meu tempo não fosse agora” será o nome do primeiro CD do guitarrista, arranjador e compositor Paulio Celé. O trabalho, que deve ficar pronto entre agosto e setembro de 2017, vai enriquecer ainda mais a cena da música instrumental brasileira, mais especificamente, a da chamada Música Universal. A expressão, criada pelo multi-instrumentista Hermeto Pascoal, refere-se a um jeito de tocar que ressoa influências musicais planetárias, sem ser possível a definição de um gênero específico. Em fevereiro do ano passado, o guitarrista Alex Lameira também mergulhou nessa fonte, apresentando o seu primeiro CD, que está pleno desse espírito. O disco era para se chamar “Saudades do Sol”, mas com início das gravações em estúdio novas sensações apontaram para outros caminhos.

Caolho fica quem tenta entender Vinícius Chagas

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Música é para sentir, não para entender, dizem os mestres. Um deles é o multi-instrumentista Itiberê Zwarg, com quem o saxofonista Vinícius Chagas, 25 anos, realizou um curso em 2015 com grande profundidade. O jovem instrumentista lançou recentemente o CD “Moment Storm”, cuja primeira música “Lalá” me traz a sensação do mesmo workshop. Tentei entrevistar o músico, mas nossas agendas não bateram. Como aqui é um blog, e o chefe sou eu mesmo, deixo de lado o jornalismo e a curiosidade e compartilho sensações. Até porque, essa curiosidade me fez lembrar da história dos caolhos do livro “Mil e uma Noites”. E como meu psiquiatra talvez leia o blog, ele pode avaliar se um dia terei alta. É testar para ver se a musicoterapia está funcionando. “Lalá” é uma música que me causa muita alegria, traz um gosto de liberdade e poesia, de um verdadeiro jazz brasileiro. Eu só escuto a música no Deezer, mas pesquisando no Youtube dá para ver que o arranjo é de Paulio Celé, um guitarrista incrível, que também participou do curso do Itiberê no ano passado.

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